Gastronomia Infantil como Componente Curricular em escola já é realidade em Brasília!

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ENCONTRO COM O CHEF »Revista do Correio (Correio Braziliense, Domingo, 01/04/2012)

Só para menores

Território proibido para as crianças, a cozinha pode, com supervisão, ser um excelente local para elas aprenderem e desenvolverem diversas habilidades, inclusive a gastronômica

Maria Fernanda Seixas

Publicação: 01/04/2012 08:00 Atualização: 30/03/2012 12:11

 (Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Criança e cozinha eram palavras incompatíveis. Com tantos objetos pontiagudos, cortantes, elétricos e quentes, esse era um verdadeiro campo minado do universo infantil. Hoje, tal concepção mudou. A cozinha continua perigosa, mas, com a devida supervisão, é um dos lugares da casa onde a criança mais tem oportunidade de aprender e desenvolver a coordenação motora fina, ganhar noções de matemática, português, ciências, geografia, história e muita autonomia. Basta um tutor criativo e uma dose de paciência.

No Brasil, escolas de ensino fundamental já se atentaram para todos esses benefícios e começam a incluir cursinhos de gastronomia e culinária como opção para os pequenos interessados. Em Brasília, tem até colégio no qual culinária faz parte da grade curricular de todas as séries. E foi lá que a coluna se infiltrou, em uma aula hilária, para conhecer as técnicas que mantêm esses jovens mestres-cucas seguros e interessados — e controlados. Sob a tutela da chef e engenheira agrônoma Alessandra Brant, as crianças preparam seus próprios lanches e se envolvem nesse universo de sabores.

A dinâmica de ensino e o método aplicado dependem muito da idade da criança. Alessandra explica que a brincadeira pode começar cedo, em doses homeopáticas. Crianças com 1 ano, por exemplo, podem brincar de pegar grãos de feijão com os dedinhos, sentir novas texturas, enfiar a mão na massa, na farinha, nas frutinhas cortadas e se aventurar pelas cores e pelos sabores. Aos 2 anos, elas já podem ajudar a montar um sanduíche, organizando o queijo, o presunto, e escolhendo outros ingredientes sozinhas. A partir dos 3 anos, a aventura ganha mais ação. O pequeno vira um belo ajudante: abre pacotes, amassa frutas com o garfo, mexe misturas com a colher, organiza os ingredientes, começa a contar e ajuda a fracionar as porções.

Depois dos 5, vale descascar frutas com a mão, ligar aparelhos eletrônicos — ligar o botão do liquidificador é uma emoção enorme para eles —, quebrar ovos, untar formas. Depois dos 7, a faca já pode usada. “O ideal é escolher uma faca sem ponta e pouco afiada. Deve-se explicar muito bem a forma correta de usá-la, como proteger os dedos, e permitir que ela corte com supervisão total”, explica. Paras as crianças, usar a faca é o máximo, um estímulo comparável ao do adolescente que dirige pela primeira vez. “Os meninos de 3 anos, por incrível que pareça, são mais fáceis de trabalhar, Não oferecem resistência, são muito participativos e interessados. Até porque é exatamente para eles que a cozinha é tão proibida. Então, eles têm essa fantasia e participam com muito interesse. Os mais velhos também gostam, mas são menos curiosos e têm mais restrições”, conta Alessandra.

A aula começa seguindo o tema de estudo do bimestre: a China. A receita está colada na parede e ensina a criançada a fazer o espetinho chinês. “Vamos fazer espetinho de escorpião?”, diz a chef. Eles caem na gargalhada. Aí ela ensina que essa é uma prática comum entre chineses, e que outros insetos também são consumidos. Explica que, na aula, eles usarão frutas frescas no espetinho, e pergunta quem quer descascar mexericas e bananas e quem quer cortar a carambola e a manga. Quando ouvem a palavra cortar, os olhos brilham, como se estivessem avistando um presente embrulhado. Todos querem usar a faca. Tagarelas, fazem a tarefa cheios de energia. Montam as frutas no palitinho, contando as porções. A professora corta a carambola ao meio e mostra para os meninos. “Vejam o formato de estrela. Por isso, em inglês, a carambola é chamada de star fruit (fruta estrela).” Mesmo os que torceram o nariz com nojo da carambola no início se rendem e experimentam o espetinho chinês. Sem perceber, aprenderam um monte de coisa, sem o menor clima de sala de aula.

 (Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Ingredientes:
2 morangos
1 manga
2 uvas
1 mexerica
1 banana
1 carambola
250g de chocolate em barra
250ml de creme de leite

Como fazer:
Higienize as frutas.
Corte a banana, a manga e a carambola em pedaços de mais ou menos 3cm de espessura.
Em um palito de madeira, espete um pedaço de cada fruta.
Derreta o chocolate em banho-maria e acrescente o creme de leite.
Jogue a calda sobre as frutas e sirva imediatamente.

Tempo de preparo: 10 minutos
Rendimento: 2 porções

Dica de acompanhamento:
Batida chinesa: bata em um liquidificador 2 mangas médias descascadas, 500ml de iogurte natural, 4 colheres de sopa de suco de limão e 10 folhas de hortelã frescas. Sirva com gelo.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2012/04/01/interna_revista_correio,295567/so-para-menores.shtml

Obrigada, Equipe do Correio Braziliense, em especial à Maria Fernanda Seixas! Adorei a reportagem. Cacá, as fotos ficaram LINDAS!!!

Obrigada Bia!

Beijos,

Chef Ale

3 comentários Adicione o seu

  1. Liliane Habib Vieira Mendes disse:

    Que legal!
    Continua o sucesso na cozinha!!!
    Tudo de bom,
    Liliane

    1. Arca do Sabor disse:

      Liliane,
      Obrigada pelo apoio!!! Um beijo nos pequenos Chefs!!!
      Chef Ale

  2. Dio disse:

    Nada vale tanto como o sorriso e a alegria das crianças na sala de aula.
    Parabéns, vc conseguiu.

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